sábado, dezembro 21, 2013

Immolation Season - Ep 20, Sheftu

Era a vez de Sheftu conhecer Eilinora, nada mais, nada menos que a irmã de Eric. Parecia que o segredo era a alma daquela família. Bem... Tirando o seu pai, que se fazia claro como o sol que nunca mais vira. Esta pequena visita que fizeram pela vida antiga dele apenas a deixava ainda mais confusa. O que acontecia mesmo diante de seus olhos, sem que o visse?

"Playback" by Sheftu Nubia

A noite aproximava-se do fim, tal como o nosso caminho rumo a um passado assim não tão distante. Veio-me à memória a última vez que tinha lá estado, os gritos que se ouviam da casa ardente, todos aqueles que tinha morto quando lá estive e todos aqueles quadros. Eram décadas que simplesmente eu lhe tinha eliminado como se nada tivesse existido alguma vez. E, agora, também a sua energia tinha sido sugada.
Senti a sua mão sobre a minha que, sem que tivesse dado conta, permanecia fortemente fechada. Meu rosto se elevou para ele e seu sorriso aumentou ao mesmo tempo que a minha mão tinha sido cercada pelas dele.
- Está tudo bem? – Perguntou-me, fazendo-me recordar que ele conseguia saber exactamente o que se passava dentro da minha cabeça.
O meu pensamento fora o suficiente para que ele suavizasse o seu toque, relaxando um pouco. Porque haveria ele de estar tenso? Desta vez tinha sido eu a apertar a sua mão, perguntando-lhe silenciosamente se estava bem. Ele apenas sorriu. Meu corpo se aninhou ao dele, enquanto ainda seguíamos caminho. Não importava que não estivéssemos sozinhos, apenas o sentia a ele, só ele me interessava no momento. Seus dedos deslizavam levemente sobre o meu braço, deixando finalmente que eu pudesse descansar, fazendo com que eu entrasse num outro mundo, em que apenas o meu sorriso permanecia. Finalmente podia descansar, deixando que o meu inconsciente tomasse conta de mim juntamente com o seu doce toque. Eric estava novamente comigo, já sentia a saudade desaparecer, esfumar-se com a sua presença.


Não sabia há quanto tempo que eu tinha apagado, sentia apenas um calor sobre a minha pele, uma leve brisa que se cruzava entre a respiração suave dele. Observei lentamente à minha volta, estávamos debaixo de uma árvore com o breve amanhecer sobre o céu. À nossa frente estava o que restava do incêndio que tinha provocado, ruínas de uma vida inteira que Eric tinha vivido. Todas as suas recordações. Todas aquelas sobre a família; tudo tinha simplesmente carbonizado quando a minha irritação tinha sido desmedida.
- Vem… - Disse, levantando-se, erguendo-me juntamente com ele. – Há algo que te quero mostrar.
Seguimos para perto das ruína, os seus passos firmes me mostravam que tinha algo em mente que já há muito que andava na sua cabeça. Duas grandes portas estavam no chão fechadas, deixando que o seu interior se abrisse para nós quando Eric se aproximou. Parecia parte da antiga casa, com o mesmo estilo, iluminada por luzes que provavelmente provinham da energia solar.
A luz mostrava todo o seu esplendor, parecia apenas uma arrecadação, mas tudo ficou diferente quando ao tocar na parede, esta se abriu.
- Uns pequenos truques que fui aprendendo… - Deu um breve sorriso, entrando pela pequena entrada. Eu segui-o, observando atentamente à minha volta, existiam vários quadros de um lado, enquanto no outro estavam estantes, repletas de livros. – Sim, tudo o que necessitava está aqui.
- Manen… - Começou por dizer alguém atrás de mim, que me fez virar e observá-la. Estava vestida de uma forma estranha, como se não fosse desta época. Havia um certo misticismo nela, como se ela conseguisse ser tão eterna como nós. Seu cheiro era distinto do que estava habituada a sentir, intrigava-me e eu não sabia o porquê.
- Eilinora… - Disse Eric, fazendo-lhe uma pequena vénia. – O que te traz aqui?
- Como haveria eu de faltar a este tão aclamado encontro! – Começou ela por dizer, aproximando-se de mim, inspeccionando-me como se eu fosse algum objecto. Seria tão simples apenas arrancar-lhe a cabeça fora…
- Vá, vai em frente então. Arranca-me a cabeça. – A sua voz confundiu-me, trazendo-me imensas perguntas para o que estava a acontecer. – Claro que ele não te contou quem lhe ensinou tudo o que sabe… Como deveria. E tu… - Disse, apontando para mim. – Terás brevemente as tuas respostas. Habitua-te a ter calma, sim?
Observei-os, algo estava errado. Havia alguma coisa nela que não me agradava em nada e ela bem o sabia, não era nada que pudesse se tornar segredo com ela a invadir assim a minha mente.
- Precisamos de esclarecer tudo isto, Manen. E espero que não demores muito com essa tua surpresazinha de última hora. Não cá vieste para estares a divertir-te. Lembra-te o que vieste fazer. – Afastou-se de mim rapidamente, segurando o queixo dele perto do seu olhar, observando-o com o seu olho clínico. Apetecia-me saltar para cima dela, arrancar-lhe cada pedaço do seu corpo e simplesmente acabar com ela. – Tenta acalmar ali a tua aliada. Não queremos que lhe aconteça nada, não é?
Seus olhos se estreitaram para mim, como se me estivessem a acusar de alguma coisa. O que foi? Tinha eu alguma culpa? Ela é que estava a irritar-me, a culpa jamais poderia ser minha.
- Eu bem te avisei de que isto tudo era uma péssima ideia. – Começou ela a dizer-lhe, enquanto saía. – Mas para variar tu nunca me dás ouvidos. Especialmente quando tem a ver com essa daí. Não te atrases! Não gosto de esperar, como sabes.
- Mas o que…
- Não temos tempo agora para perguntas. – Interrompeu-me aproximando-se, levou-me para perto de uma cadeira e pediu-me com o olhar para permanecer ali, sentada, quieta.
- Mas eu o preciso de saber… - Comecei por dizer, mas não obtive qualquer resposta. – Não me vais dizer nada? O que está a acontecer e porque estamos aqui?
- Se continuares a falar… Como queres que termine antes de escurecer? – Disse, aparecendo a sua cabeça sobre o grande cavalete que preparava com cuidado. – Já que fizeste o favor de eliminar todos os rastos do teu passado na minha vida, creio que tenho direito a ter algum do nosso presente?
Eu sorri. Está certo, ele tinha ganho desta vez… Mas não o conseguiria por muito tempo… Eu não ia deixar o assunto morrer e ele sabia muito bem disso. Não era só a teimosia que me caracterizava, a determinação conseguia ser muito pior. Principalmente quando eu queria saber alguma coisa.


A noite chegava lentamente, não que a conseguíssemos ver debaixo do solo, sem janelas nem a saída aberta. Mas mesmo assim conseguíamos ouvir os sons lá fora, além de todas aquelas câmaras de vigilância que estavam no perímetro. Cada parte das ruínas era visto ao mais pleno rigor, para que qualquer movimento fosse detectado.
Eram horas e horas que tinham passado, sem que realmente pudesse pensar em nada, sem que cada segundo fosse ouvido. Era bastante cansativo permanecer quieta por tanto tempo, e ele sempre tentava de algum modo me deixar entretida, desde que estivesse quieta para que ele continuasse.
- Quando é que te despachas com isso? – Perguntei-lhe, pela milésima vez. Ele voltou a sorrir, levantando-se e observando-me enquanto sua mão passava sobre a minha face.
Fiz menção de me levantar, mas a sua mão firmou-me, voltando para os meus lábios, para que eu ficasse calada. Perguntei-lhe em silêncio o que se passava, ele apenas sorriu, aproximando-se dos meus lábios, abraçando-me com ternura. – Sentias falta disto? – Perguntou-me, deixando-me agora levantar-me para puder passar os meus braços sobre o seu pescoço. Era a única guerra em que o vencedor e o vencido realmente nunca importavam, o seu sangue podia matar-me mas também me dava vida…
O seu calor atraía-me para mais perto, juntamente com os batimentos cardíacos que me torturavam a cada segundo que permanecia perto. Minha pele fria queria ficar mais e mais próxima dele, todo o meu corpo estremecia a cada novo movimento dos seus lábios sobre os meus, navegando loucamente sobre a minha boca, tentando matar-me. Sim! Queria matar-me de desejo, deixar-me completamente rendida ao momento, deixar-me fluir entre os seus braços e simplesmente abrir o meu olhar. E eu o fiz, olhei-o frente a frente, nossos olhos se cruzavam como labaredas incandescentes. Era a loucura total e eu sabia disso, que fosse!
- Temos de ir… - Disse-me, entre a respiração entrecortada, afastando-se de mim, esticando o seu braço para que eu colocasse a minha mão sobre a dele.
O pôr-do-sol estava praticamente no fim quando saímos de lá, seguindo uma trilha pela floresta, provavelmente indo ao encontro daquela mulher desconhecida, pelo menos para mim.
Só ele sabia o que estava a acontecer e para onde nós íamos. E, para variar, o factor surpresa sempre me deixava completamente alerta. Por mais que tentasse parecer relaxada, a qualquer segundo era capaz de arrancar corações pelo simples facto de me aparecerem à frente. Os meus mecanismos de defesa pouco tinham mudado ao longo dos milénios, por isso a minha mente por breves momentos desligou-se por completo do que me rodeava, recordando-me novamente duma parte do passado que eu certamente jamais queria recordar.
Aquele tinha sido o dia em que tudo simplesmente passara pela morte, me deixando eterna juntamente com Ian. Uma situação que nunca desejei, pois a morte sempre foi considerada uma bênção para mim, e nunca realmente essa ideia tinha mudado. Mesmo antes de saber tudo isto parte de mim sempre tinha odiado a ideia da imortalidade. E, agora, aqui estava eu, amaldiçoada a continuar morta pelo mundo, deixando que cada ser que se atravessasse à minha frente fosse condenado. Não, não era só para aqueles que eu tornava eternos, também todas aquelas imagens, breves e quase esquecidas, dos rostos de cada um das minhas vítimas. Apesar de que as que mais me marcavam, – Henry… Kiya…Irina… - todas elas pesavam sobre o meu pensamento, as suas vozes, os seus olhares… A raiva, a emoção, os seus últimos suspiros… Aquelas cinzas que simplesmente voavam pelo vento, deixando mais uma vez que o meu passado destruísse a vida, ou morte, a alguém.
Uma mão apertou a minha, levando-me novamente para o que estava a acontecer.
- Está tudo bem? – Perguntou-me, tentando procurar alguma réstia das minhas recordações
- Sim, agora está. – Suspirei, encostando a minha cabeça ao seu peito enquanto chegávamos a uma espécie de cabana, como se estivéssemos num outro mundo antigo… Não muito diferente do local onde tinha estado aprisionada.
Existiam até algumas pessoas que circulavam, talvez seguindo para as suas tarefas, lentamente como se nada neste mundo lhes pudesse causar problema. E eu me perguntava como tudo isto era possível.
- Sabes, estas pessoas estão aqui porque escolheram ficar protegidas por Eilinora. Eu sei que ainda não gostas muito dela, e ela sente o mesmo por ti, mas isso é porque não se conhecem. – Fez uma pausa, dando-me um pequeno beijo na testa antes de continuar. – Portanto, tenta ficar calma. Tudo está bem… Depois te explico melhor.
Alguém nos interceptou, uma espécie de guardas, vestindo umas túnicas com um símbolo que eu bem me lembrava. Aquela cobra que Eric tinha no pulso era semelhante à que estes homens trajavam sobre a túnica, olhei para ele perguntando-lhe o que era. Mas vi pelo seu olhar que não era o momento para me responder. Tinha de ter paciência e saber esperar para que as respostas fossem todas dadas. E, o meu pior problema, era que não tinha nenhuma das duas para puder usar.
Saiu uma gargalhada enorme da sua boca, dando para nós a atenção toda sobre cada um dos que passavam perto de nós. Já tinha saudades desse som, pensei, olhando-o. Ele afastou-se ligeiramente de mim e aproximou-se dos ouvidos daquele homem.
- Diz-lhe que já cheguei. Estaremos no local marcado.
O homem assentiu, afastando-se de nós.
- Mas o que…
- Tem calma que já terás todas as respostas que procuras… - Fez uma breve pausa, tentando controlar o riso. – Sim, eu sei que não tens paciência nenhuma para isto agora e que só te apetece saltar-me em cima. Mas, neste momento é muito importante para mim que o consigas fazer. Faz isso por mim, okay?
- Está bem… O que queiras. – Disse-lhe, suspirando. Ele começou a caminhar para uma pequena estrada, parecia bastante antiga, como se existissem séculos de história nelas. Na minha mente houve um breve clique, parecia que seguíamos a trilha para a casa onde o tinha deixado, depois de o ter encontrado sozinho pela nascença. Será que…
- Exactamente. Agora, espera até lá chegarmos que brevemente acabarás por saber o que estamos aqui a fazer. É importante para mim e também o será para ti.
Eu até podia compreender que parecia importante para ele, mas porquê todo este mistério? O que haveria para ser dito e o que estava eu aqui a fazer com ele? Logo agora que todos os seus puderes tinham simplesmente esfumado. O que iria acontecer daqui em diante e quem raio era aquela tal de Eilinora? Tantas, mas tantas questões que estavam por responder… Mas tinha a esperança que hoje elas fossem respondidas.
Rapidamente apareceram as fachadas da casa sobre a nossa frente, tudo parecia ter congelado, como se voltássemos àquela época, como se nada tivesse mudado por aqui. O que teria acontecido para voltarmos para cá.
- Estás preparada? – Perguntou-me, e então entramos sobre as grandes portas de madeira, que se abriam para nós…


Já há algum tempo que permanecíamos nesta sala à espera da tal Eilinora, o silêncio era perturbador. Não sabia bem porque Eric não me contava logo o que se passava e acabava logo com esta brincadeira. Eu detestava não saber o que estava a acontecer, principalmente quando me escondiam tudo. Era uma das alturas que eu gostava de também saber ler mentes, assim conseguiria romper este momento infernal.
- Eu sei que queres respostas, mas não tarda muito até que as tenhas.
- Não me sabes dizer logo o que se passa? – Perguntei, tentando não demonstrar a minha irritação, sem muito sucesso. Logo a porta se abriu, entrando a tal mulher com um sorriso enorme de orelha a orelha ao vê-lo. Ele sorriu-lhe de volta, aproximando-se também dela, abraçando-a com entusiasmo.
- Maninho, para a próxima que me deixares sem notícias, eu darei cabo de ti! – Ela olhou para mim, fazendo depois uma careta quando ele se aproximou de mim e abraçou-me.
Então eles eram irmãos? Como é que isso era possível? Eu bem me recordo que os pais que eu lhe tinha escolhido não podiam ter filhos, para além de não terem qualquer família que pudesse fazer perguntas ou descobrir a origem dele. Observava cada um deles, tentando captar alguma semelhança que pudesse dizer o seu grau de parentesco. Apesar do Eric até ser alto, ela conseguia ultrapassá-lo facilmente, além de que o seu olhar não era azul como o dele, mas sim verde, bem como a sua aparência ruiva nada tinha a ver com o cabelo preto dele.
Será que Ian tinha iludido mais mulheres, mesmo depois de eu o ter expressamente proibido com o nosso acordo? Minha mente parou repentinamente ao sentir que as suas mãos me moviam para que eu o observasse.
- Porque te importas com ela? Ela é uma deles… - O seu tom de reprovação demonstrava exactamente o que ela pensava sobre a nossa espécie.
- Eilinora… Por favor, tenta ser um pouco mais delicada. Afinal de contas somos família. Habitua-te. – Suspirou profundamente, concentrando-se nos meus pensamentos, sorrindo depois de volta, ao dar-se conta que na minha mente estava algo que nada era relacionado com tudo isto. – Como deves calcular tudo isto é muito importante para mim, eu queria dizer-te antes mas, como sabes, existiram muitos inconvenientes para que eu to dissesse.
Depois de ter pedido a ela que se sentasse junto connosco, Eric contou a forma como a tinha encontrado, ao tentar localizar-me, acabou por presenciar toda a determinação do seu próprio pai em eliminar duas gémeas da raça humana, deixando-lhes um presente mortal no seu ventre. Ele tentou ajudá-las, aproximou-se e começou a tentar avisá-las do perigo de que se aproximavam.
Não que tivesse dado resultado, ele as tinha encantado com o seu poder e era difícil fazê-las ver a verdadeira natureza daquele que tinham escolhido para as desposar. A família reduzia-se apenas ao seu avô que mais tempo passava a trabalhar em condições precárias do que a proteger as suas duas netas do pior.
Naquela altura, ainda havia muito a aprender, como iria ele conseguir inverter o encantamento a que elas tinham sido submetidas. No final de contas, apenas uma se salvou, prometendo segredo completo e entregar-lhe a criança que faria o seu espelho morrer de forma horrível.
Por isso Eilinora viveu toda a sua vida junto dos pais que eu tinha escolhido para o Eric, criando uma completa aversão a qualquer tipo de vampiro que fosse, mesmo sem nunca ter sequer conhecido um. Era contra a sua natureza aceitar que um monstro fosse próximo daqueles que ela amava. Isso, ela mo disse, sem qualquer receio e com toda a determinação possível. Caso acontecesse algo ao seu irmão, não tardaria em caçar-me até que justiça fosse feita. E eu lhe dei razão, caso alguma vez o fizesse, que ela não só me perseguisse por ele, mas também por mim. Eu jamais quereria viver se algo acontecesse novamente a ele, e muito menos se fosse minha culpa.
Estávamos quase de saída quando ela lhe pediu para falarem a sós. Ele atendeu o pedido e eu acabei por seguir em frente, saindo da mansão, observando a natureza à minha volta que parecia intocável pelo tempo.
- Eu tenho essa mesma sensação sempre que saio de casa. – Disse Eilinora, fazendo-me voltar-me para ela. Parecia um pouco constrangida, como se estivesse arrependida de algo que me tinha dito.
- Onde ele está? – Perguntei automaticamente, vendo-a sozinha.
- Ele está ligeiramente ocupado com umas coisinhas… O que te parece irmos dar um passeio por esta bela paisagem? – Eu assenti, deixando que existisse um momento em que ela pudesse dizer o que queria. Os primeiros passos foram apenas sobre o som do que nos rodeava, apesar de que ela também podia ler a minha mente, o que não me alegrava muito. Sem privacidade sequer para pensar, como se nunca fosse possível ter um pensamento só para mim.
- Queria pedir-te desculpa pela forma que te tratei, mas a realidade é que não me arrependo em nada do que disse. – Fez uma breve pausa, continuando depois de me segurar pelos ombros e observar-me nos olhos. – Deves compreender a minha situação, nas últimas décadas não tenho tido descanso e agora aparece ele, depois de vários meses sem dar sequer sinal de vida, sem poderes e com um novo elemento na família.
Rapidamente mudou novamente de posição, observando um pequeno casulo que estava preso sobre a árvore, tocando nele, saindo uma pequena borboleta azul incandescente, que ia aumentando de tamanho, até que se pousou sobre o seu ombro e ela sorriu.
- O meu irmão arriscou-se muito em salvar-te a vida. E, agora que ficou ainda mais indefeso, nem consegue ver que há algo em ti. – A borboleta voou directamente para mim, eu estendi a mão, fazendo com que ela pousasse sobre a minha mão, mudando de cor, para um vermelho vivo, flutuando sobre os meus dedos. – Não precisas de esconder-lhe as mudanças que estão a acontecer.
- Do que estás a falar?
- Só porque o Eric não quer acreditar no que os nossos pais nos contaram sobre um ascendente deles, não quer dizer que não seja verdade. – Ela sorriu, fechando a sua mão sobre aquele ser avermelhado que rapidamente se tornou novamente num casulo. Quando colocou novamente sobre a árvore, continuou. – Parece que é possível, e pelos vistos, ele conseguiu fazê-lo em ti.
- Mas o que… - Comecei por perguntar, parando logo de imediato ao sentir uma pulsação conhecida que se aproximava. Voltei-me para aquela direcção e lá estava ele, com um pequeno livro sobre o seu braço.
- Conseguiste encontrar o que querias? – Perguntou-lhe ela sorrindo.
- Acredito que sim, Eilinora… - O seu olhar passava de mim para ela. – E vocês, está tudo bem?
- Claro que sim, maninho. Já devias de saber que sim… - A sua resposta só fez com que ele ficasse ainda mais desconfiado.
- Bem, acho então que está na hora de voltar novamente para Inverness. Vens? – Perguntou-me, estendendo a sua mão.
- Lembra-te de vir cá mais vezes, e trá-la contigo! Nem penses em voltar a deixar-me sem notícias!
- Vou tentar. Agora, temos de ir, antes que seja demasiado tarde e ela tenha de se alimentar. Seria uma pena se tu fosses a vítima!
- Ah! Ah! Ah! Maninho… Que divertido que ele anda! – Replicou ela, quando já estávamos a seguir rumo às ruínas da sua antiga casa.

Quando lá chegamos, a luz da lua iluminava as ruínas de uma forma especial que daria um pelo quadro.
- Pedido registado com sucesso! – Brincou ele, entrando no jipe. – Do que vocês estavam a falar quando eu lá cheguei?
- Quando? – Perguntei, fingindo-me confusa, logo a minha mente me traía, dizendo-lhe que sabia muito bem o que ele perguntava. Ah! Como eu detestava isso. – Está bem, está bem… Nós estávamos a falar de ti, do quanto tramada eu estava se tentasse afastar-te dela.
- Tens a certeza? – Seu sobrolho franziu e eu sorri. Que homem desconfiado que eu tinha arranjado! Talvez fosse melhor procurar outro.
- Nem penses! – Gargalhou ele, aproximando-se dos meus lábios. – Já estava com saudades disto.
- Do quê? – Brinquei.
- Disto! – Repetiu ele, continuando a tentar torturar-me com os seus dotes mágicos. E como eu adorara senti-lo junto a mim, novamente consciente!
Brevemente voltaríamos à mansão de Carmen, onde certamente haveria de tudo, menos paz. Por isso tinha de aproveitar, tentar arranjar forma de passar uns dias longe de tudo, desfrutar destes momentos loucos. Talvez ao ficar por cá mais uns dias, ninguém se preocuparia!
- Tens a certeza? – Perguntou-me, com os seus olhos a reflectir a luz da lua. Parecia um momento fantástico, poderia guardá-lo na minha memória pela eternidade. Ele rapidamente fez sinal para voltarem para trás, não me importava onde íamos ficar, nem como. Desde que ele estivesse aqui, a meu lado, e que pudéssemos sorrir sempre! – Lembra-te de fazer essa cara outra vez quando voltarmos para a tela!
- Não! – Disse eu, largando uma risada bem sonora.
- Não penses que te livrarás de mim!
- Jamais! – Tê-lo do meu lado era muito mais que felicidade! Era… Absolutamente, arrebatadoramente… Mágico!

Não importavam os poderes, a energia, nada disso importava. Cada toque, cada som… Tudo nele era a mais pura das magias para mim, não importava quanto tempo passasse… Ele era parte de mim, completamente meu… Pela eternidade!

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